Justificados pelo sangue de Cristo, somos salvos da ira e reconciliados com Deus; nele, nosso ser encontra a plenitude que permanece além de todo instante.
Lectio Epistolae beati Pauli Apostoli ad Corinthios I XV, XX-XXIVa, XXV-XXVIII
XX. Nunc autem Christus resurrexit a mortuis primitiæ dormientium,
20. Mas Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias daqueles que adormeceram. Nele, a vida revelou sua vitória sobre a morte e abriu à humanidade o horizonte da ressurreição.
XXI. quoniam quidem per hominem mors, et per hominem resurrectio mortuorum.
21. Pois, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Em Cristo, a própria existência recebe uma nova origem e é chamada à vida que não perece.
XXII. Et sicut in Adam omnes moriuntur, ita et in Christo omnes vivificabuntur.
22. Assim como em Adão todos morrem, em Cristo todos receberão a vida. A humanidade encontra nele a passagem da condição mortal à plenitude da vida que procede de Deus.
XXIII. Unusquisque autem in suo ordine, primitiæ Christus: deinde ii qui sunt Christi, qui in adventu ejus crediderunt.
23. Cada um, porém, em sua própria ordem. Cristo é as primícias; depois, virão aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. Nele, a promessa da ressurreição já se encontra realizada e anuncia a consumação daqueles que vivem unidos a ele.
XXIVa. Deinde finis: cum tradiderit regnum Deo et Patri,
24a. Depois virá o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai. Toda a história da criação encontra sua direção nessa entrega, na qual a obra divina alcança sua consumação.
XXV. Oportet autem illum regnare donec ponat omnes inimicos sub pedibus ejus.
25. É necessário que Cristo reine até que coloque todos os seus inimigos sob seus pés. Seu reinado manifesta a soberania divina, diante da qual toda força contrária à vida será vencida.
XXVI. Novissima autem inimica destruetur mors: omnia enim subjecit pedibus ejus. Cum autem dicat:
26. O último inimigo a ser destruído será a morte, pois Deus submeteu todas as coisas aos pés de Cristo. Ao anunciar essa submissão, a Palavra revela que a morte não permanecerá como destino definitivo da existência.
XXVII. Omnia subjecta sunt ei, sine dubio præter eum qui subjecit ei omnia.
27. Quando se afirma que todas as coisas lhe estão submetidas, é evidente que se exclui aquele que tudo submeteu a Cristo. Deus permanece como origem e fundamento de toda a criação, e nada está acima daquele de quem tudo procede.
XXVIII. Cum autem subjecta fuerint illi omnia: tunc et ipse Filius subjectus erit ei, qui subjecit sibi omnia, ut sit Deus omnia in omnibus.
28. Quando todas as coisas estiverem submetidas a Cristo, também o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos. Assim, a criação alcançará sua plenitude na unidade com seu princípio, e a presença divina preencherá toda a existência.
Reflexão:
A ressurreição de Cristo revela o fundamento eterno da existência.
Nele, a morte deixa de ser o destino último e cede lugar à vida.
O presente adquire profundidade quando acolhe a presença daquele que venceu a morte.
Cada instante pode ser vivido à luz dessa promessa que ultrapassa o tempo.
A firmeza interior nasce da confiança em Deus, origem e plenitude de todas as coisas.
O reinado de Cristo conduz a criação à sua consumação.
Nada encontra sua realização definitiva fora daquele de quem tudo procede.
Quando Deus for tudo em todos, a vida manifestará plenamente sua origem eterna.
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