Domingo, 16 de Agosto de 2026
Cristo inaugura a plenitude da vida, e nele os que lhe pertencem atravessam a sucessão dos instantes rumo à consumação do ser eterno.
Lectio Prima Epistulae Sancti Pauli Apostoli ad Corinthios, XV, XX-XXVII
XX. Nunc autem Christus resurrexit a mortuis, primitiæ dormientium,
20. Mas agora Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que adormeceram, manifestando que a vida possui em Deus sua origem e seu destino, e que a morte não encerra a existência, mas encontra seu limite diante da realidade eterna.
XXI. Quoniam quidem per hominem mors, et per hominem resurrectio mortuorum.
21. Pois, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Aquilo que foi ferido na ordem da existência encontra em Cristo um novo princípio de plenitude, pelo qual a vida é novamente orientada para sua origem.
XXII. Et sicut in Adam omnes moriuntur, ita et in Christo omnes vivificabuntur.
22. E assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos receberão a vida. A existência que participa da condição mortal é chamada, em Cristo, a participar de uma vida que ultrapassa a sucessão dos instantes.
XXIII. Unusquisque autem in suo ordine, primitiæ Christus: deinde ii qui sunt Christi, qui in adventu ejus crediderunt.
23. Cada um, porém, em sua própria ordem. Primeiro Cristo, como primícias; depois aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. A realidade possui uma ordem que não nasce do acaso, mas conduz cada ser à sua consumação segundo o desígnio divino.
XXIV. Deinde finis, cum tradiderit regnum Deo et Patri, cum evacuaverit omnem principatum, et potestatem, et virtutem.
24. Depois virá o fim, quando Ele entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter reduzido a nada todo principado, todo poder e toda força. A consumação não significa desaparecimento, mas o término de toda desordem diante da soberania plena de Deus.
XXV. Oportet autem illum regnare donec ponat omnes inimicos sub pedibus ejus.
25. Pois é necessário que Ele reine até que coloque todos os inimigos debaixo de seus pés. O reinado de Cristo manifesta a ordem definitiva do ser, na qual nenhuma realidade contrária à verdade pode permanecer como princípio último.
XXVI. Novissima autem inimica destruetur mors.
26. E o último inimigo a ser destruído será a morte. Aquilo que parecia possuir a palavra final sobre a existência revela-se apenas uma realidade passageira diante daquele que é a própria Vida.
XXVII. Omnia enim subjecit pedibus ejus. Cum autem dicat, Omnia subjecta sunt, sine dubio præter eum, qui subjecit ei omnia.
27. Pois Deus colocou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo. Quando se afirma que todas as coisas lhe estão submetidas, evidentemente se exclui aquele que submeteu tudo a Ele. Assim, toda a realidade encontra sua ordem última no Pai, de quem procede o Filho e para quem todas as coisas retornam.
Reflexão
A ressurreição revela que a morte não possui a medida definitiva do ser.
Cristo inaugura uma ordem na qual o instante se abre à plenitude.
A existência encontra seu sentido quando reconhece sua origem em Deus.
Cada realidade possui seu momento e sua ordem dentro do desígnio eterno.
A alma amadurece quando permanece firme diante daquilo que passa.
Nenhuma mudança temporal pode destruir aquilo que Deus conduz à plenitude.
A morte é vencida porque a Vida possui uma origem que não perece.
Em Cristo, toda a existência é orientada para sua consumação em Deus.
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